Foto da revista Time (Louis Moses / zefa / Corbis) em matéria de Jenine-Lee - St. John, com o título: "Fazendo o corte - As taxas de circuncisão estão caindo na medida em que os pais dabatem se o procedimento causa mais danos que benefícios!".
A revista Time de 12 de novembro traz na página 42 matéria importante sobre a prática rotineira de circuncisão masculina. A discussão atual é se a retirada de rotina do prepúcio dos bebês não traria maiores malefícios que benefícios.
Os EUA é hoje único país desenvolvido onde a circuncisão ainda ocorre na maioria dos meninos. Mas os números mostram que, mesmo neste país, a rejeição à circuncisão vem aumentando.
Do ponto de vista médico, não há provas de benefícios que justifiquem a cirurgia (esta é também a opinião da Academia Americana de Pediatria). Os contrários à circuncisão de rotina alinham os seus malefícios sobretudo na área psicológica, social e sexual.
Um fato é incontestável. A prática da circuncisão remonta aos tempos de Abraão e sua justificativa é antes de tudo de seguir uma tradição religiosa.
Admite-se que a partir de 1800 a prática de circuncisão cresceu com o argumento de combater a masturbação masculina, que era considerada prejudicial à saúde. Se a masturbação masculina foi desmitificada, o mesmo não ocorreu universalmente com a masturbação e o prazer sexual feminino. Ainda hoje, milhões de meninas de países na África subsahariana e da península Arábica, são submetidas a várias formas de mutilação genital para evitar que sintam prazer. O texto a seguir foi adaptado da Folha de São Paulo, 22/09/07:
"Também por tradição, há séculos as meninas egípcias, geralmente entre 7 e 13 anos de idade, vêm sendo submetidas à excisão do clítoris ou circuncisão feminina, vista no Egito (e em muitos outros países africanos) como necessária para preservar a castidade e a honra das mulheres. Em 2005, uma pesquisa mostrou que 96% das mulheres casadas, divorciadas e viúvas entrevistadas, disseram ter passado pela excisão. Agora o Ministro da Saúde determinou em decreto a proibição do procedimento. As resistências determinadas pelo conservadorismo e tradição religiosa são grandes."
Apesar de todos os pais judeus terem a obrigação de circuncisar seus filhos no oitavo dia após o nascimento conforme está escrito na Torah, o fato é que hoje em dia muitos judeus agrupam-se aos que condenam a circuncisão.
Do ponto de vista dos direitos humanos, creio que a circuncisão é uma violação dos direitos da criança. A criança tem o direito de manter o seu corpo intacto e cabe aos pais defender seus filhos para que não sofram. A circuncisão é um ato invasivo, violento e doloroso. Argumentar que recém-nascido não sente dor é de um absurdo tão grande que deve ser entendido apenas como demonstração de radicalismo religioso.
O Observatório da Infância luta pelos direitos de crianças e adolescentes e, sendo assim, posiciona-se ao lado daqueles que condenam a circuncisão de rotina, por se tratar de um ato de violência contra uma criança.
Lauro Monteiro
Editor
Maiores informações podem ser obtidas na busca da Canadian Children Rights Cauncil (http://www.canadiancrc.com/) ou no site citado pela revista Time http://www.stopinfantcircumcision.org/).
Envie para um amigo voltar à página anterior voltar à página Inicial
